O poder do cabelo e suas fases

Só quem tem cabelo bandido – do tipo que ou tá preso ou tá armado – sabe o valor daqueles fios macios, sedosos e brilhantes das propagandas de xampu. Pois uma pesquisa mundial, realizada por uma gigante do setor, promete revelar, em números, o real poder do cabelo.  Por exemplo: 87% das garotas são confiantes e abertas a oportunidades quando seus cabelos estão bonitos. E mais: 3/4 delas se sentem instantaneamente capazes de aproveitar mais o dia quando estão felizes com as madeixas! Quem tem cabelo bom tem tudo!

CABELOS

Os cabelos sempre se constituíram como excelente adorno do rosto, tidos historicamente para a mulher como símbolo de sedução e para o homem como demonstração de força. Afrodite cobria sua nudez com a loira cabeleira e Sansão derrotou os filisteus quando recuperou seus fios preciosos.

Na Grécia antiga, ofertar as madeixas aos deuses representava um ato supremo, como se vê quando Berenice cortou seus cabelos e os ofereceu em sacrifício à Afrodite, para que seu marido, Ptolomeu, voltasse ileso da guerra da Síria.

No Egito antigo os faraós tinham nas perucas formas de distinção social, enquanto que para os muçulmanos manter uma pequena mecha no alto da cabeça era o ponto para que Maomé os conduzisse ao paraíso.

Na mitologia hindu os cabelos de Shiva mostram as direções do espaço e figuram em todo o universo. Desde os escalpos indígenas até os cabelos das mulheres acusadas de ligação com as tropas alemãs da 2a Guerra Mundial, a cabeleira dos vencidos foi sempre exibida como troféu.

Por outro lado, enquanto os cabelos estiveram associados à idéia de força e beleza, a calvície ficou ligada ao conceito de sabedoria. Assim, os sacerdotes egípcios tinham a cabeça raspada como símbolo de desapego. Sócrates orgulhava-se da sua falta de cabelos dizendo: “Mato não cresce em ruas ativas!”. Mas foi Hipócrates, também um calvo célebre, quem estudou pioneiramente a alopecia relacionando-a a outras características físicas.

O swami Pandarana Sannahdi, do mosteiro de Madras, na Índia, tinha em 1949, uma cabeleira de 7,92 metros de comprimento!

Na França, o Rei Sol Luiz XIV usava diariamente uma peruca para cobrir sua cabeça.

A Grécia Antiga era requintada em ideais de beleza e de perfeição corporal.

Os cabelos em particular tiveram o privilégio de um espaço próprio, os salões de cabeleireiro. Um mergulho na história à profundidade do Séc. II A.C., ao encontro das raízes mais profundas da Grécia antiga.

Pela criatividade dos gregos surgiram os salões de cabeleireiro. Pelo menos é o que diz a História, apesar da origem e do espaço dedicado à beleza capilar passar quase despercebida por entre os profissionais cabeleireiros.

Os achados arqueológicos transportam testemunhos preciosos, as estátuas gregas, as pinturas expostas nos museus e as coleções privadas são provas dos ideais da época.

Na Grécia Antiga os penteados ostentavam algumas sobriedades e fantasias prevalecendo os cabelos louros, frisados, com caracóis estreitos e discretos com franjas em espiral, que com o tempo foram esquecidas, por influência de um Oriente próximo. Esta imagem quase utópica é particularmente visível nas principais divindades da mitologia grega, que assumiam um ideal de beleza e perfeição corporal.

Vênus, a deusa do amor, apresentava longos cabelos que exalavam um odor divino de Ambrósia.

Diana, a deusa da caça confiava os seus belos cabelos louros aos cuidados das ninfas.

Marte, o deus da guerra, apresentava também cabelos louros, no entanto curtos.

Quanto a Zeus e Apolo, além das características comuns aos outros deuses, tinham a particularidade de possuir barba.

O brilho dos intérpretes míticos evocados num grande registro literário, a Odisséia, é refletido na preocupação estética dos cidadãos gregos, a importância da aparência levou à necessidade em criar um espaço adequado para o tratamento de beleza e do tratamento capilar e, desta forma, surgiram os primeiros salões de cabeleireiro (koureia), em Atenas, construídos sobre a praça pública, o Ágora.

Os cabelos eram perfumados com óleos raros e preciosos, matizados com tons tintos ou descolorados, uma vez que a cor mais em voga era loura.

Alguns penteados eram completados por falsos cabelos ou mesmo encobertos por perucas.

Os calvos, porém, procuram cabelos artificiais e cabeleiras. Os homens pertencentes à nobreza e os próprios guerreiros apresentavam cabelos compridos, um punhado de cabelo era sustentado por uma faixa, vulgarmente designado por “crobylos”.

Os adolescentes copiavam os penteados de Apolo e Arquimedes, enquanto que os velhos e filósofos usavam cabelos longos e barbas densas, como símbolo de sabedoria.

Condecorações e correntes acompanhavam, por vezes, os penteados masculinos.

As barbas e bigodes eram cortados com ponta de lança, à imagem de uma sociedade de gladiadores.

Os escravos, que não se distinguiam dos homens livres, apresentavam cabelos curtos e lisos, não se permitindo barbas nem bigodes.

Quanto aos penteados femininos, utilizavam-se faixas e laços por cima dos cabelos lisos compridos.

Mais tarde, a moda lançou os caracóis e os rolos de cabelos. Os penteados eram enriquecidos com pentes fiados em bronze ou marfim.

Além dessa grande “invenção” grega, que foram os salões de cabeleireiro, a profissão de barbeiro ficou também célebre. Sem dúvida, pelas mãos dos gregos abriram-se “portas” ao mundo mágico do cabeleireiro, revelando que estes são os melhores profissionais para cuidarem da nossa imagem, particularmente dos nossos cabelos.

Cabelos viraram objeto de estudo e suas formas ganham o status de design. Duas exposições internacionais, com grande sucesso de público, comprovam uma verdade admitida somente na frente do espelho: homens e mulheres, de todas as idades, preocupam-se muito com as madeixas. E não é de hoje.

1 Comentário

  • Eu sou cabeleireira, fui p/ Grécia fiquei apaixonada pelos cabelos, maquiagem…..achei as gregas muito elegantes, adorei.

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