Google desafia Microsoft pelo futuro dos PCs

Enquanto o Google apaga, neste domingo, 7, as dez velinhas do seu bolo de aniversário, podemos perdoar seus fundadores Larry Page e Sergey Brin por ficarem imaginando, com um sorriso sarcástico, a fogueira que acabaram de acender debaixo da Microsoft. O incêndio que fez o criador do Windows correr para apanhar o extintor foi causado pelo lançamento do navegador do Google na internet.

A chegada do Chrome, anunciada em seu estilo tipicamente peculiar por uma tira de quadrinhos online, esta semana, representa mais do que apenas um desafio ao Internet Explorer da Microsoft, hoje líder no mercado. Representa uma briga fundamental pelo futuro do computador.

A Microsoft, como tantos de seus concorrentes em potencial descobriram ao longo dos anos, detém um controle total do mercado de software que roda nos computadores, graças ao enorme sucesso do seu sistema operacional Windows. Portanto, o Google prestou atenção no velho ditado de que, se você não pode ganhar, precisa mudar o jogo.

O aumento do acesso à internet banda larga finalmente criou um ambiente em que aplicativos como processadores de texto ou programas de escritório não precisam mais estar incorporados ao computador. Podem ser rodados na internet, e os documentos criados podem ser armazenados nos servidores da rede, de forma a poderem ser acessados onde quer que o usuário esteja online.

Navegador

Em um mundo em que esses aplicativos baseados na rede são abundantes, não importa qual seja o sistema operacional de um computador, porque precisará apenas ter um navegador e uma conexão na internet. Nesse mundo, um usuário pode até optar por um sistema operacional gratuito.

Bill Gates previu esta evolução há 13 anos, quando escreveu um memorando interno no qual atribuía “a maior importância” à internet e advertia seus colegas de que era um “tsunami” em potencial que poderia mudar fundamentalmente as regras.

O memorando mencionava, naquela época, que o navegador Netscape, então líder do mercado, tinha potencial para “tornar o sistema operacional subjacente uma commodity”. Esse famigerado memorando foi um dos catalisadores das guerras de browsers da década de 90, em que o Internet Explorer acabou liquidando o Netscape Navigator, e incluía uma linha que dizia que era preciso garantir que os fabricantes de computadores vendessem suas máquinas com um navegador da Microsoft incorporado.

Chrome

Ironicamente, o Chrome, que demorou aproximadamente dois anos para ser produzido, aproveita as inovações introduzidas na tecnologia do browser pela concorrente da Microsoft, a Mozilla, que tem a custódia dos direitos de propriedade intelectual do navegador Firefox, parte de cujo DNA tecnológico vem do Netscape Navigator.

Mas as guerras de browsers de uma década atrás não vivem apenas na tecnologia do Chrome, mas, antes de mais nada, na decisão do Google de criá-lo. O principal executivo do mecanismo de busca admitiu, depois do lançamento, que “as guerras de browsers de dez anos atrás tinham razão de ser: o browser é muito importante”.

Brin acrescentou que os sistemas operacionais são uma espécie de maneira antiga de pensar o mundo. “Tornaram-se muito volumosos… Queremos um motor muito leve, rápido para rodar os aplicativos”.

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